quinta-feira, 22 de abril de 2021

pandemônio

  De repente o mundo ficou triste. Não que ele estivesse indo muito bem, mas era fácil jogar todos os problemas pra baixo do tapete tomando uma cerveja gelada com os amigos. De repente, depois do carnaval, depois daquele porre e de ter vomitado em padaria chique de São Paulo, as ruas ficaram silenciosas e vazias. De repente tudo do jeito que a gente conhecia ruiu e sobrou só incerteza. O itinerário do dia passou a ser do quarto pro banheiro, do banheiro pra cozinha, da cozinha pra sala, da sala pro quarto... All fucking day. A vida foi virando um marasmo, cada dia tentando inventar algo pra não sucumbir ao tédio e à loucura, mas termino o fim do dia atracada com um hamburguer sentindo um misto de prazer e decepção com as minha péssimas escolhas. Todo dia eu tento fazer diferente, e todo dia eu falho. Yoga, aquarela, dança, programação, The Sims, livros. Tudo eu começo, em nada persisto. Tudo me encanta e nada me interessa. 

De repente o mundo virou um caos e o caos virou em mim.

sábado, 16 de janeiro de 2016

all we have is now

Uma das coisas boas de se estar longe é enxergar as coisas de outra perspectiva. Reconhecer que eu pertenço a um lugar, e tudo faz parte de mim. A gente aprende a valorizar o que não possui mais, tudo o que está fora de alcance. Aqui eu sinto uma grande nostalgia. Eu lembro de sorrisos, conversas, beijos e abraços que normalmente passam despercebidos de tão corriqueiros, mas aqui basta lembrá-los para que se eternizem na saudade.

Uma das coisas boas de se estar longe é reconhecer a importância de tudo o que eu tinha em casa.

Uma das melhores coisas de se estar longe é aprender a valorizar o que não se tem mais.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre 2015

Dois mil e quinze pode não ter sido um ano tão incrível como eu queria, mas dada minha capacidade e coragem de fazer coisas incríveis, foi melhor do que esperado (se isso faz algum sentido).

Comecei o ano me mudando mais uma vez pra um lugar novo. Me sinto nômade desde pequena, acho que nunca morei em um só lugar por mais de três anos. Mas o fato de estar me mudando sozinha para outro lugar dentro de um país estranho e ter que resolver tudo sozinha foi um pouco desesperador. Joga tudo dentro da mala e vai!

E assim cheguei em Mankato:
Lyons Park: melhor lugar!
Em Mankato eu me permiti viver tudo o que pude. Aproveitei o máximo todos os fins de semana, me aventurei pelo Tinder (americanos <3), fiz o que quis sem me preocupar com o julgamento alheio. Minha playlist ficou lotada de música pop e hip hop; Break Free da Ariana Grande virou hino. Me apaixonei, sofri, depois fui feliz, mesmo que só por um mês. Pensei mil vezes em mil maneiras pra poder ficar lá e nunca mais voltar pro Brasil. Daí a realidade bateu na minha porta e tive que partir pra Davis na Califórnia pra cumprir os dois meses de estágio. As duas semanas que antecederam minha ida foram as melhores e piores possíveis. Mais uma vez tive que entrar num carro em direção ao aeroporto, e entre lágrimas e promessas que nunca serão cumpridas eu disse o adeus mas difícil até hoje. 

Cheguei na sonhada Califórnia em pleno verão, mas a dor de cotovelo não me deixou.
Dois meses trabalhando numa pesquisa, morrendo de calor, morando com pessoas estranhas e passando perrengue pra viajar no pouco tempo que restava. San Francisco, Los Angeles, Berkeley, show do Death Cab for Cutie. Nada foi suficiente pra Califórnia ganhar meu coração. Eu só queria a vida pacata e o verão ameno de Minnesota.

E daí o fim do intercâmbio chegou. Brasil de novo, tudo velho. Amigos, rotina, hábitos, problemas. É chato ser a pessoa que acabou de chegar do intercâmbio. Seus amigos não querem nem ouvir falar de nada. Falar de qualquer experiência que você teve fora faz as pessoas rolarem os olhos. Acho que se esquecem você passou um ano vivendo em um lugar diferente, não no vácuo. É difícil, mas nada que um semestre estudando inferência loucamente não resolva. A pior parte é definitivamente voltar.

Quando eu acho que o ano já deu o que tinha que dar, faço merda. Não uma merda tão grande (na minha percepção), mas vai saber os reais motivos que levam uma pessoa a se magoar tanto com você? Assumi a merda e pelo visto perdi uma amiga, por alguém que não vale um centavo. Eu só sei que já vivi coisa o suficiente pra ficar mendigando amor, amizade, seja lá o que for. Quer, ótimo; não quer, melhor ainda. Acho que assim que você descobre mais rápido quem é pra ficar na sua vida ou não.

2015 marcou. Parece que foram dois anos dentro de um só. Espero que 2016 seja um ano tão bom quanto, com um pouco menos de drama!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Eu já ouvi pelo menos umas quinze vezes sua mensagem na minha caixa postal. Ouvi atenta para entender cada palavra, busquei sentido no tom da sua voz, fiquei encucada porque disse "see ya" no final. Fui no mercado e lembrei de você quando vi beef jerk, chicken wings, crab legs e até suco de laranja. Procurei seu chá favorito, mas estava em falta. Fiz ovo mexido e coloquei ketchup, pois é assim que você come o seu. Fico olhando pro jardim e penso como você gostaria de ter um jardim igual. Imagino você comigo na Califórnia, dizendo que o tempo está bom e que deveríamos aproveitá-lo do lado de fora. Sinto falta de acordar do seu lado e ouvir você reclamar que tem que ir trabalhar. Sinto falta dos seus olhos verdes, da sua barba ruiva e do seu cabelo arrepiado. Sinto falta de deitar no seu peito e ter a sensação de que o mundo é perfeito.

Você faz falta.



I've heard at least fifteen times your message on my voice mail. I listened paying close attention to understand the meaning of every word. I tried to decipher what your tone voice meant and I couldn't stop thinking about why you said "see ya" in the end of you message. I went to the supermarket and remembered you when I saw beef jerk, chicken wings, crab legs and even orange juice. I looked for your favorite iced tea, but it was sold out. I ate scrambled eggs with ketchup, because that's how you like it. I looked at the garden and thought about how much you would've liked it. I imagine you in California with me, saying that the weather outside is good and that we should enjoy it outside. I miss waking up by your side and hearing your complains about going to work. I miss your green eyes, your red-haired beard and your messy hair. I miss laying on your chest and feeling that the world is perfect.

I miss you.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Então é Natal...

É Natal e eu devo dizer que quase nada da minha lista se concretizou. Mas fato que terminei de ler aquele livro do John Green e aproveitei para conhecer mais as pessoas ao meu redor. Logo quando estava me acostumando com a ideia de ficar mais 4 meses aqui e de viajar pra Califórnia, me informam que havia uma vaga pra mim em outra universidade. Óbvio que nada na minha vida acontece como eu quero, mas pelo menos algo aconteceu. Minha viagem pra San Francisco babou, morri em duzentos dólares, mas a sensação de me ver livre desse lugar compensa tudo.

Daqui a 9 dias estou indo pra Minnesota State University. Treze mil pessoas diferentes. Setenta brasileiros. Tem ônibus. Fica perto de Minneapolis. Perto daqui, é quase o paraíso, só que mais frio. Mal posso esperar pra chegar lá.

Sobre o Natal, está sendo agradável, tirando o fato de que me entupi de comida. Mas fazer o quê? Não tem muito mesmo o que fazer aqui.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

uma carta para mim

Querida Natália,
Taí. Você alcançou algumas coisas com as quais mais sonhou. Buscou um novo caminho, conseguiu o emprego que sempre quis, superou seu medo estúpido de matemática, está viajando e estudando fora, mas por algum motivo as coisas não parecem estar no seu devido lugar. Nem todos os sonhos realizados são garantia de felicidade. Todos seus sonhos realizados até agora foram motivados pela possibilidade de "ser alguém", ter uma carreira, uma vida estável, um futuro. Mas lá dentro, toda vez que seu coração aperta, sabe bem que isso não é o mais importante pra você. Você já tentou se livrar desses pensamentos utópicos estilo "se nada der certo viro hippie", mas eles sempre voltam. Sua alma é livre, não nasceu pra ficar presa a esses padrões. Não que você vá largar tudo pra morar na praia pra vender bijuteria, até porque nem bijuteria você sabe fazer. Se trata de ser verdadeira com quem você é e com quem você quer ser. Quem não se deslumbra com um armário cheios de roupas caras, sapatos, bolsas? Quem não quer "crescer" e ser uma mulher independente, que anda com um terninho impecável e tem unhas de quem vai toda semana à manicure, que tem tempo de ir à academia religiosamente, que viaja pra búzios no fim de semana e pra Europa nas férias? A verdade é que você não se encaixa nesse mundo. Pare de se iludir. Lá no fundo o seu desejo é pintar parte do cabelo de roxo, fazer mais uma tatuagem, beber em qualquer bar no fim de semana, aprender a andar de skate, saber mais sobre o que te interessa, viajar pra todas as praias do mundo, Barcelona e Amsterdã. E não tem nada de errado nisso. Parte de todas suas insatisfações surgem porque você não consegue lidar com o que você é, e tenta ridiculamente se encaixar de alguma forma onde você não cabe. Seja mais fiel à você e pare de se esconder ou procurar refúgio em coisas vazias. Você é a pessoa mais importante da minha vida, então vê me escuta de uma vez por todas.
Você tá com essa compulsão ridícula de comer qualquer coisa açucarada a todo momento, o que parece te proporcionar felicidade eterna por alguns minutos, mas pouco depois você não consegue parar de pensar "Por que eu comi essa merda?". Fica ruminando isso por horas e no dia seguinte ao olhar no espelho lembra mais uma vez do que fez na noite passada e falar pra si mesma "Hoje eu vou comer direito, eu juro!". E nada. Todo dia antes de dormir você passa algumas horas vegetando na internet, como se seu dia tivesse sido super produtivo e você não tivesse nada com que se preocupar. Quando finalmente decide desligar o computador, deita a cabeça no travesseiro e pensa em tudo o que tinha pra fazer e não fez. Pensa que se tivesse feito tudo, o que não ia te tomar nem 3h caso não entrasse no Facebook de 10 em 10 min, poderia ter lido aquele livro, aprendido um pouco mais de programação, ido à academia, dado uma volta pela cidade, tantas coisas! Admita para si mesma: você está num ciclo vicioso. Às vezes tudo o que você queria era um botão de restart, mas a vida não é como um vídeo game, onde você pode escolher o jogo, pausar e reiniciar quando quiser. Aceite que você e apenas você tem controle sobre sua vida. Eu sei que você tá chateada e as coisas não vão bem como você gostaria, mas aprenda mais uma vez (você sabe como fazer isso) a aproveitar o que você tem agora. Não desista de você, do que você quer ser e do que você é. Então aqui vão alguns pedidos. Guarde essa carta com você e leia sempre que puder.

  1.  Não gaste tanto seu tempo com coisas inúteis pela Internet enquanto você tem mais o que fazer.
  2.  Desligue seu celular enquanto estiver estudando e antes de dormir. Prometa também que não vai mais usá-lo durante as refeições!
  3. Eu sei que você não é muito fã de pessoas, mas no fundo elas podem ser bem legais. Então seja mais aberta às diferenças e quando alguém puxar assunto com você, finja que você é muito simpática e não deixe a conversa morrer.
  4. Não se tranque no quarto durante o fim de semana. Eu sei que você fica bem sozinha, mas tente dar uma volta! Encare uma ida a pé no Walmart, vá ao cinema ou ao Fruited Plain tomar café e ler um livro.
  5. Fiquei muito orgulhosa de você ter desistido de gastar 500 dólares num Iphone e ter planejado sua viagem pra Califórnia. Agora faça um favor: pare de ser medrosa e apenas vá, com ou sem companhia! Afinal, ninguém merece passar o Natal congelando.
  6. Quando chegar na Califa compre um longboard, perca a vergonha e vá aprender a andar. Sim, sozinha! Se você cair, pelo menos foi de um skate e não da escada.
  7. Ainda sobre a Califórnia: não deixe de atravessar a Golden Bridge de bike
  8. Ah, e faça uma nova tatuagem!
  9. Nós duas sabemos como você está chateada com seu peso e com a celulite que está se concentrando na sua perna. Se te incomoda, pare de reclamar e faça algo! Ninguém aqui tá afim de voltar redonda pro Brasil.
  10. Além disso, pare de se encher daquelas barrinha malditas na hora da sobremesa. Troque por uma maçã e deixe pra comer doce quando realmente valer a pena.
  11. Comece a ler aquele livro do John Green e termine de ler O Andar do Bêbado.
  12. Compre aqueles livros que tu sempre quis ler: Trilogia Suja de Havana, A Insustentável Leveza do Ser, algum do Garcia Marquez e mais um do Saramago.
  13. Faça uma lista dos filmes que quer assistir no Netflix. 
  14. Escreva sempre que possível.
  15. Pense antes de se autoboicotar!
  16. Seja você mesma. Sempre! Não tenha medo de mostrar o que você é, o que você pensa e no que você acredita. Você é incrível, quem não gostar que se foda-se!
Posso até parecer um pouco exigente com você, mas é para seu bem. Se movimente, seja mais ativa, ative sua mente, saia da inércia. Dizem por aí, cabeça vazia é oficina do diabo. Se dedique às suas obrigações e às coisas que você gosta. Daqui a pouco estaremos de volta ao Brasil, mais felizes e motivadas.

São 2:22 da madrugada, você tá sem sono, com dor de cabeça e passando mal de tanto comer Oreo. Amanhã o dia vai ser uma merda, mas na gaveta tem aquelas pílulas pra te acordar e chá verde com ginseng. Mas agora enxuga as lágrimas e tira a Lana Del Rey. Amanhã é um novo dia.

Durma bem,

Natália.

sábado, 18 de outubro de 2014

nostalgia

Nostalgia. Talvez seja minha palavra favorita. Tem horas que o coração fica pequeno pra tantas lembranças, vontade de voltar no tempo e aproveitar aquele tempo que não volta mais.

A música, os acordes de guitarra, o coro que se fazia ao ouvir aquela música que falava exatamente do que você sentia. O suor, o mosh, aqueles breves momentos de liberdade, de se perder e ser quem você quer, pelo menos por um instante. Me fazia feliz.

Às vezes acho que congelei no tempo.