Mostrando postagens com marcador intercâmbio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador intercâmbio. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sobre 2015

Dois mil e quinze pode não ter sido um ano tão incrível como eu queria, mas dada minha capacidade e coragem de fazer coisas incríveis, foi melhor do que esperado (se isso faz algum sentido).

Comecei o ano me mudando mais uma vez pra um lugar novo. Me sinto nômade desde pequena, acho que nunca morei em um só lugar por mais de três anos. Mas o fato de estar me mudando sozinha para outro lugar dentro de um país estranho e ter que resolver tudo sozinha foi um pouco desesperador. Joga tudo dentro da mala e vai!

E assim cheguei em Mankato:
Lyons Park: melhor lugar!
Em Mankato eu me permiti viver tudo o que pude. Aproveitei o máximo todos os fins de semana, me aventurei pelo Tinder (americanos <3), fiz o que quis sem me preocupar com o julgamento alheio. Minha playlist ficou lotada de música pop e hip hop; Break Free da Ariana Grande virou hino. Me apaixonei, sofri, depois fui feliz, mesmo que só por um mês. Pensei mil vezes em mil maneiras pra poder ficar lá e nunca mais voltar pro Brasil. Daí a realidade bateu na minha porta e tive que partir pra Davis na Califórnia pra cumprir os dois meses de estágio. As duas semanas que antecederam minha ida foram as melhores e piores possíveis. Mais uma vez tive que entrar num carro em direção ao aeroporto, e entre lágrimas e promessas que nunca serão cumpridas eu disse o adeus mas difícil até hoje. 

Cheguei na sonhada Califórnia em pleno verão, mas a dor de cotovelo não me deixou.
Dois meses trabalhando numa pesquisa, morrendo de calor, morando com pessoas estranhas e passando perrengue pra viajar no pouco tempo que restava. San Francisco, Los Angeles, Berkeley, show do Death Cab for Cutie. Nada foi suficiente pra Califórnia ganhar meu coração. Eu só queria a vida pacata e o verão ameno de Minnesota.

E daí o fim do intercâmbio chegou. Brasil de novo, tudo velho. Amigos, rotina, hábitos, problemas. É chato ser a pessoa que acabou de chegar do intercâmbio. Seus amigos não querem nem ouvir falar de nada. Falar de qualquer experiência que você teve fora faz as pessoas rolarem os olhos. Acho que se esquecem você passou um ano vivendo em um lugar diferente, não no vácuo. É difícil, mas nada que um semestre estudando inferência loucamente não resolva. A pior parte é definitivamente voltar.

Quando eu acho que o ano já deu o que tinha que dar, faço merda. Não uma merda tão grande (na minha percepção), mas vai saber os reais motivos que levam uma pessoa a se magoar tanto com você? Assumi a merda e pelo visto perdi uma amiga, por alguém que não vale um centavo. Eu só sei que já vivi coisa o suficiente pra ficar mendigando amor, amizade, seja lá o que for. Quer, ótimo; não quer, melhor ainda. Acho que assim que você descobre mais rápido quem é pra ficar na sua vida ou não.

2015 marcou. Parece que foram dois anos dentro de um só. Espero que 2016 seja um ano tão bom quanto, com um pouco menos de drama!

sábado, 20 de setembro de 2014

estranha no ninho

Os dias aqui até que tem passado rápido, mas essa semana meio que se arrastou. Fiquei me perguntando o que eu vim fazer aqui, pensando que deveria ter ouvido minha intuição quando imaginei que seria exatamente como está: uma cidade que não tem nada pra fazer, pessoas que vivem em função da religião e que me olham estranho por não querer ir à igreja, e ninguém com quem conversar sobre o que sinto de verdade. Eu não sei se é a TPM, mas essa semana foi a pior. Às vezes me pergunto se não sou eu que tenho a cabeça muito fechada, mas me sinto completamente estranha aqui e por mais legal que as pessoas sejam, eu só quero ficar no quarto ou na biblioteca, fechada no meu mundo.

Não aguento mais todo domingo me perguntarem em qual igreja eu fui. Se acredito em Jesus Cristo, nosso salvador. O que acho dos professores rezarem antes da aula (ainda bem que os meus não fazem isso). De ter que ouvir que Deus criou a estatística.

Antes de chegar aqui achei que talvez eu fosse encontrar um caminho, que uma luz ia surgir na minha frente e que tudo o que acredito fosse cair por terra. Mas não. Todo dia acontece algo que me faz pensar que quem vive na sombra não sou eu. Sorry.

Mas eu respeito e tento participar. E acho lindo, de verdade. Acho legal as pessoas se apagarem a algo que acreditam e que isso realmente as transforme como pessoas. Ainda não vi aqui coleguinha julgando coleguinha, sendo egoísta, etc. As pessoas realmente seguem o que pregam. Além disso, os "cultos" são legais e várias vezes me peguei chorando. Eles não falam sobre a bíblia e coisas que você não entende, mas sim sobre situações que todos enfrentamos todos os dias.

Não tá fácil. Estou com saudades de casa, mas esse não é um fator. Não estou feliz aqui. Já engordei 4 kg e isso tá me fazendo muito mal também, porque além da comida já ser muito calórica, não consigo parar de comer quando tô ansiosa. Fico imaginando quando tudo isso se encher de neve, a sensação de vazio só vai piorar.

Pensei muito essa semana sobre pedir pra mudar de Uni, mas peguei uma matéria que é como se fosse um estágio em análise de dados e está sendo a melhor coisa aqui. Não sei até que ponto isso é uma oportunidade que eu devo agarrar ou se eu deveria tentar uma universidade melhor, com mais matérias de estatística, projetos de pesquisa sólidos e uma vida pra viver etc. Estou com medo dessa sensação piorar e eu entrar numa bad. Só que também não quero sentir que vou fazer isso por fraqueza.

Enfim, tá foda.