É Natal e eu devo dizer que quase nada da minha lista se concretizou. Mas fato que terminei de ler aquele livro do John Green e aproveitei para conhecer mais as pessoas ao meu redor. Logo quando estava me acostumando com a ideia de ficar mais 4 meses aqui e de viajar pra Califórnia, me informam que havia uma vaga pra mim em outra universidade. Óbvio que nada na minha vida acontece como eu quero, mas pelo menos algo aconteceu. Minha viagem pra San Francisco babou, morri em duzentos dólares, mas a sensação de me ver livre desse lugar compensa tudo.
Daqui a 9 dias estou indo pra Minnesota State University. Treze mil pessoas diferentes. Setenta brasileiros. Tem ônibus. Fica perto de Minneapolis. Perto daqui, é quase o paraíso, só que mais frio. Mal posso esperar pra chegar lá.
Sobre o Natal, está sendo agradável, tirando o fato de que me entupi de comida. Mas fazer o quê? Não tem muito mesmo o que fazer aqui.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
uma carta para mim
Querida Natália,
Taí. Você alcançou algumas coisas com as quais mais sonhou. Buscou um novo caminho, conseguiu o emprego que sempre quis, superou seu medo estúpido de matemática, está viajando e estudando fora, mas por algum motivo as coisas não parecem estar no seu devido lugar. Nem todos os sonhos realizados são garantia de felicidade. Todos seus sonhos realizados até agora foram motivados pela possibilidade de "ser alguém", ter uma carreira, uma vida estável, um futuro. Mas lá dentro, toda vez que seu coração aperta, sabe bem que isso não é o mais importante pra você. Você já tentou se livrar desses pensamentos utópicos estilo "se nada der certo viro hippie", mas eles sempre voltam. Sua alma é livre, não nasceu pra ficar presa a esses padrões. Não que você vá largar tudo pra morar na praia pra vender bijuteria, até porque nem bijuteria você sabe fazer. Se trata de ser verdadeira com quem você é e com quem você quer ser. Quem não se deslumbra com um armário cheios de roupas caras, sapatos, bolsas? Quem não quer "crescer" e ser uma mulher independente, que anda com um terninho impecável e tem unhas de quem vai toda semana à manicure, que tem tempo de ir à academia religiosamente, que viaja pra búzios no fim de semana e pra Europa nas férias? A verdade é que você não se encaixa nesse mundo. Pare de se iludir. Lá no fundo o seu desejo é pintar parte do cabelo de roxo, fazer mais uma tatuagem, beber em qualquer bar no fim de semana, aprender a andar de skate, saber mais sobre o que te interessa, viajar pra todas as praias do mundo, Barcelona e Amsterdã. E não tem nada de errado nisso. Parte de todas suas insatisfações surgem porque você não consegue lidar com o que você é, e tenta ridiculamente se encaixar de alguma forma onde você não cabe. Seja mais fiel à você e pare de se esconder ou procurar refúgio em coisas vazias. Você é a pessoa mais importante da minha vida, então vê me escuta de uma vez por todas.
Você tá com essa compulsão ridícula de comer qualquer coisa açucarada a todo momento, o que parece te proporcionar felicidade eterna por alguns minutos, mas pouco depois você não consegue parar de pensar "Por que eu comi essa merda?". Fica ruminando isso por horas e no dia seguinte ao olhar no espelho lembra mais uma vez do que fez na noite passada e falar pra si mesma "Hoje eu vou comer direito, eu juro!". E nada. Todo dia antes de dormir você passa algumas horas vegetando na internet, como se seu dia tivesse sido super produtivo e você não tivesse nada com que se preocupar. Quando finalmente decide desligar o computador, deita a cabeça no travesseiro e pensa em tudo o que tinha pra fazer e não fez. Pensa que se tivesse feito tudo, o que não ia te tomar nem 3h caso não entrasse no Facebook de 10 em 10 min, poderia ter lido aquele livro, aprendido um pouco mais de programação, ido à academia, dado uma volta pela cidade, tantas coisas! Admita para si mesma: você está num ciclo vicioso. Às vezes tudo o que você queria era um botão de restart, mas a vida não é como um vídeo game, onde você pode escolher o jogo, pausar e reiniciar quando quiser. Aceite que você e apenas você tem controle sobre sua vida. Eu sei que você tá chateada e as coisas não vão bem como você gostaria, mas aprenda mais uma vez (você sabe como fazer isso) a aproveitar o que você tem agora. Não desista de você, do que você quer ser e do que você é. Então aqui vão alguns pedidos. Guarde essa carta com você e leia sempre que puder.
Você tá com essa compulsão ridícula de comer qualquer coisa açucarada a todo momento, o que parece te proporcionar felicidade eterna por alguns minutos, mas pouco depois você não consegue parar de pensar "Por que eu comi essa merda?". Fica ruminando isso por horas e no dia seguinte ao olhar no espelho lembra mais uma vez do que fez na noite passada e falar pra si mesma "Hoje eu vou comer direito, eu juro!". E nada. Todo dia antes de dormir você passa algumas horas vegetando na internet, como se seu dia tivesse sido super produtivo e você não tivesse nada com que se preocupar. Quando finalmente decide desligar o computador, deita a cabeça no travesseiro e pensa em tudo o que tinha pra fazer e não fez. Pensa que se tivesse feito tudo, o que não ia te tomar nem 3h caso não entrasse no Facebook de 10 em 10 min, poderia ter lido aquele livro, aprendido um pouco mais de programação, ido à academia, dado uma volta pela cidade, tantas coisas! Admita para si mesma: você está num ciclo vicioso. Às vezes tudo o que você queria era um botão de restart, mas a vida não é como um vídeo game, onde você pode escolher o jogo, pausar e reiniciar quando quiser. Aceite que você e apenas você tem controle sobre sua vida. Eu sei que você tá chateada e as coisas não vão bem como você gostaria, mas aprenda mais uma vez (você sabe como fazer isso) a aproveitar o que você tem agora. Não desista de você, do que você quer ser e do que você é. Então aqui vão alguns pedidos. Guarde essa carta com você e leia sempre que puder.
- Não gaste tanto seu tempo com coisas inúteis pela Internet enquanto você tem mais o que fazer.
- Desligue seu celular enquanto estiver estudando e antes de dormir. Prometa também que não vai mais usá-lo durante as refeições!
- Eu sei que você não é muito fã de pessoas, mas no fundo elas podem ser bem legais. Então seja mais aberta às diferenças e quando alguém puxar assunto com você, finja que você é muito simpática e não deixe a conversa morrer.
- Não se tranque no quarto durante o fim de semana. Eu sei que você fica bem sozinha, mas tente dar uma volta! Encare uma ida a pé no Walmart, vá ao cinema ou ao Fruited Plain tomar café e ler um livro.
- Fiquei muito orgulhosa de você ter desistido de gastar 500 dólares num Iphone e ter planejado sua viagem pra Califórnia. Agora faça um favor: pare de ser medrosa e apenas vá, com ou sem companhia! Afinal, ninguém merece passar o Natal congelando.
- Quando chegar na Califa compre um longboard, perca a vergonha e vá aprender a andar. Sim, sozinha! Se você cair, pelo menos foi de um skate e não da escada.
- Ainda sobre a Califórnia: não deixe de atravessar a Golden Bridge de bike
- Ah, e faça uma nova tatuagem!
- Nós duas sabemos como você está chateada com seu peso e com a celulite que está se concentrando na sua perna. Se te incomoda, pare de reclamar e faça algo! Ninguém aqui tá afim de voltar redonda pro Brasil.
- Além disso, pare de se encher daquelas barrinha malditas na hora da sobremesa. Troque por uma maçã e deixe pra comer doce quando realmente valer a pena.
- Comece a ler aquele livro do John Green e termine de ler O Andar do Bêbado.
- Compre aqueles livros que tu sempre quis ler: Trilogia Suja de Havana, A Insustentável Leveza do Ser, algum do Garcia Marquez e mais um do Saramago.
- Faça uma lista dos filmes que quer assistir no Netflix.
- Escreva sempre que possível.
- Pense antes de se autoboicotar!
- Seja você mesma. Sempre! Não tenha medo de mostrar o que você é, o que você pensa e no que você acredita. Você é incrível, quem não gostar que se foda-se!
Posso até parecer um pouco exigente com você, mas é para seu bem. Se movimente, seja mais ativa, ative sua mente, saia da inércia. Dizem por aí, cabeça vazia é oficina do diabo. Se dedique às suas obrigações e às coisas que você gosta. Daqui a pouco estaremos de volta ao Brasil, mais felizes e motivadas.
São 2:22 da madrugada, você tá sem sono, com dor de cabeça e passando mal de tanto comer Oreo. Amanhã o dia vai ser uma merda, mas na gaveta tem aquelas pílulas pra te acordar e chá verde com ginseng. Mas agora enxuga as lágrimas e tira a Lana Del Rey. Amanhã é um novo dia.
Durma bem,
Natália.
sábado, 18 de outubro de 2014
nostalgia
Nostalgia. Talvez seja minha palavra favorita. Tem horas que o coração fica pequeno pra tantas lembranças, vontade de voltar no tempo e aproveitar aquele tempo que não volta mais.
A música, os acordes de guitarra, o coro que se fazia ao ouvir aquela música que falava exatamente do que você sentia. O suor, o mosh, aqueles breves momentos de liberdade, de se perder e ser quem você quer, pelo menos por um instante. Me fazia feliz.
Às vezes acho que congelei no tempo.
A música, os acordes de guitarra, o coro que se fazia ao ouvir aquela música que falava exatamente do que você sentia. O suor, o mosh, aqueles breves momentos de liberdade, de se perder e ser quem você quer, pelo menos por um instante. Me fazia feliz.
Às vezes acho que congelei no tempo.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Falta do que fazer
Hoje abri o Facebook e me deparei com os posts falando sobre o Festival do Rio, evento que sempre falo "Dessa vez eu vou!" e nunca vou. Há semanas atrás me deparei também com uma mostra de artes que rolou no Pier Mauá e parece que foi maneiríssimo, pois vi muita gente falando sobre e postando foto. De música nem preciso falar. Estou morrendo com o fato de que vou perder shows do Paramore, Franz Ferdinand, Foo Fighters, o Lollapalooza (outro evento que sempre falo que vou e desisto) etc. Vai rolar também um TEDGlobal e ano que vem um congresso mundial de Estatística.
E daí?
E daí que só estando aqui pra perceber como aproveito muito pouco o que minha cidade oferece. Cada vez mais o Rio (e o Brasil todo) recebe eventos melhores. E tirando os grandes eventos, quantas opções temos e nem nos damos conta? E o melhor é que para muitos você nem precisa gastar tanto. Quantos shows perdi em Ipanema, quantas vezes deixei de aproveitar o Festival do Rio, quantas exposições perdidas no CCBB, quantas vezes poderia ter aproveitado um sábado ouvindo samba na Feira do Lavradio, ou uma segunda qualquer na Pedra do Sal, uma quarta feira no jazz num sobrado capenga da Lapa ou até mesmo um domingo andando pelo Aterro, indo na feirinha orgânica e esticando na praia. Quantas vezes reclamei da falta do que fazer enquanto morava numa cidade que me oferecia milhões de opções! Agora chora aqui nesse lugar que tem 1 cinema, 1 bar e mais nada hahahaha
Altos planos de voltar pro Rio e poder aproveitar tudo...!
sábado, 20 de setembro de 2014
estranha no ninho
Os dias aqui até que tem passado rápido, mas essa semana meio que se arrastou. Fiquei me perguntando o que eu vim fazer aqui, pensando que deveria ter ouvido minha intuição quando imaginei que seria exatamente como está: uma cidade que não tem nada pra fazer, pessoas que vivem em função da religião e que me olham estranho por não querer ir à igreja, e ninguém com quem conversar sobre o que sinto de verdade. Eu não sei se é a TPM, mas essa semana foi a pior. Às vezes me pergunto se não sou eu que tenho a cabeça muito fechada, mas me sinto completamente estranha aqui e por mais legal que as pessoas sejam, eu só quero ficar no quarto ou na biblioteca, fechada no meu mundo.
Não aguento mais todo domingo me perguntarem em qual igreja eu fui. Se acredito em Jesus Cristo, nosso salvador. O que acho dos professores rezarem antes da aula (ainda bem que os meus não fazem isso). De ter que ouvir que Deus criou a estatística.
Antes de chegar aqui achei que talvez eu fosse encontrar um caminho, que uma luz ia surgir na minha frente e que tudo o que acredito fosse cair por terra. Mas não. Todo dia acontece algo que me faz pensar que quem vive na sombra não sou eu. Sorry.
Mas eu respeito e tento participar. E acho lindo, de verdade. Acho legal as pessoas se apagarem a algo que acreditam e que isso realmente as transforme como pessoas. Ainda não vi aqui coleguinha julgando coleguinha, sendo egoísta, etc. As pessoas realmente seguem o que pregam. Além disso, os "cultos" são legais e várias vezes me peguei chorando. Eles não falam sobre a bíblia e coisas que você não entende, mas sim sobre situações que todos enfrentamos todos os dias.
Não tá fácil. Estou com saudades de casa, mas esse não é um fator. Não estou feliz aqui. Já engordei 4 kg e isso tá me fazendo muito mal também, porque além da comida já ser muito calórica, não consigo parar de comer quando tô ansiosa. Fico imaginando quando tudo isso se encher de neve, a sensação de vazio só vai piorar.
Pensei muito essa semana sobre pedir pra mudar de Uni, mas peguei uma matéria que é como se fosse um estágio em análise de dados e está sendo a melhor coisa aqui. Não sei até que ponto isso é uma oportunidade que eu devo agarrar ou se eu deveria tentar uma universidade melhor, com mais matérias de estatística, projetos de pesquisa sólidos e uma vida pra viver etc. Estou com medo dessa sensação piorar e eu entrar numa bad. Só que também não quero sentir que vou fazer isso por fraqueza.
Enfim, tá foda.
Não aguento mais todo domingo me perguntarem em qual igreja eu fui. Se acredito em Jesus Cristo, nosso salvador. O que acho dos professores rezarem antes da aula (ainda bem que os meus não fazem isso). De ter que ouvir que Deus criou a estatística.
Antes de chegar aqui achei que talvez eu fosse encontrar um caminho, que uma luz ia surgir na minha frente e que tudo o que acredito fosse cair por terra. Mas não. Todo dia acontece algo que me faz pensar que quem vive na sombra não sou eu. Sorry.
Mas eu respeito e tento participar. E acho lindo, de verdade. Acho legal as pessoas se apagarem a algo que acreditam e que isso realmente as transforme como pessoas. Ainda não vi aqui coleguinha julgando coleguinha, sendo egoísta, etc. As pessoas realmente seguem o que pregam. Além disso, os "cultos" são legais e várias vezes me peguei chorando. Eles não falam sobre a bíblia e coisas que você não entende, mas sim sobre situações que todos enfrentamos todos os dias.
Não tá fácil. Estou com saudades de casa, mas esse não é um fator. Não estou feliz aqui. Já engordei 4 kg e isso tá me fazendo muito mal também, porque além da comida já ser muito calórica, não consigo parar de comer quando tô ansiosa. Fico imaginando quando tudo isso se encher de neve, a sensação de vazio só vai piorar.
Pensei muito essa semana sobre pedir pra mudar de Uni, mas peguei uma matéria que é como se fosse um estágio em análise de dados e está sendo a melhor coisa aqui. Não sei até que ponto isso é uma oportunidade que eu devo agarrar ou se eu deveria tentar uma universidade melhor, com mais matérias de estatística, projetos de pesquisa sólidos e uma vida pra viver etc. Estou com medo dessa sensação piorar e eu entrar numa bad. Só que também não quero sentir que vou fazer isso por fraqueza.
Enfim, tá foda.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
sobre novas etapas [15.08]
Não, ainda não caiu a ficha de que daqui a 3 dias estou partindo para a realização de um dos meus sonhos. É incrível pensar que há pouco mais de 2 anos saí totalmente da minha zona de conforto, me lancei no desconhecido e fui atrás do que eu pensava ser o certo pra mim, mesmo que muitos achassem que eu fosse louca por sair de humanas para exatas. No primeiro dia de aula eu tive a certeza de ter acertado na escolha e a ENCE se tornou minha segunda casa. Lá aprendi a enfrentar meus medos, a não me abalar por pouco. Passei por péssimos momentos e vi como as pessoas podem ser falsas por tão pouco, mas isso me fez ver como tantas outras me queriam bem de verdade. Fiz amigos pra rir, chorar, estudar, dividir as angústias e, claro, rir de novo. Agora, vejo claramente como tudo na vida se encaixa.
Há 2 anos atrás não teria essa coragem, não teria a certeza de que não vai ser fácil, mas que vale a pena tentar. Assim como tudo que passei ao entrar pra ENCE. Hoje pude ter a dimensão do que apenas um passo me proporcionou. Agradeço por tudo que passei aqui desde então, os bons e maus momentos. Fico imaginando o que esse novo passo vai me proporcionar. Escrevendo assim parece até que vou embora pra sempre. Mas quando a gente alcança algo que queria muito fica meio besta. Só queria dizer obrigada a todos que fazem parte da minha vida, mesmo aqueles que não merecem fazer parte dela, mas principalmente aos que me fizeram uma pessoa melhor e que me impulsionaram de algum modo.
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