quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Falta do que fazer

Hoje abri o Facebook e me deparei com os posts falando sobre o Festival do Rio, evento que sempre falo "Dessa vez eu vou!" e nunca vou. Há semanas atrás me deparei também com uma mostra de artes que rolou no Pier Mauá e parece que foi maneiríssimo, pois vi muita gente falando sobre e postando foto. De música nem preciso falar. Estou morrendo com o fato de que vou perder shows do Paramore, Franz Ferdinand, Foo Fighters, o Lollapalooza (outro evento que sempre falo que vou e desisto) etc. Vai rolar também um TEDGlobal e ano que vem um congresso mundial de Estatística.

E daí?

E daí que só estando aqui pra perceber como aproveito muito pouco o que minha cidade oferece. Cada vez mais o Rio (e o Brasil todo) recebe eventos melhores. E tirando os grandes eventos, quantas opções temos e nem nos damos conta? E o melhor é que para muitos você nem precisa gastar tanto. Quantos shows perdi em Ipanema, quantas vezes deixei de aproveitar o Festival do Rio, quantas exposições perdidas no CCBB, quantas vezes poderia ter aproveitado um sábado ouvindo samba na Feira do Lavradio, ou uma segunda qualquer na Pedra do Sal, uma quarta feira no jazz num sobrado capenga da Lapa ou até mesmo um domingo andando pelo Aterro, indo na feirinha orgânica e esticando na praia. Quantas vezes reclamei da falta do que fazer enquanto morava numa cidade que me oferecia milhões de opções! Agora chora aqui nesse lugar que tem 1 cinema, 1 bar e mais nada hahahaha

Altos planos de voltar pro Rio e poder aproveitar tudo...! 

sábado, 20 de setembro de 2014

estranha no ninho

Os dias aqui até que tem passado rápido, mas essa semana meio que se arrastou. Fiquei me perguntando o que eu vim fazer aqui, pensando que deveria ter ouvido minha intuição quando imaginei que seria exatamente como está: uma cidade que não tem nada pra fazer, pessoas que vivem em função da religião e que me olham estranho por não querer ir à igreja, e ninguém com quem conversar sobre o que sinto de verdade. Eu não sei se é a TPM, mas essa semana foi a pior. Às vezes me pergunto se não sou eu que tenho a cabeça muito fechada, mas me sinto completamente estranha aqui e por mais legal que as pessoas sejam, eu só quero ficar no quarto ou na biblioteca, fechada no meu mundo.

Não aguento mais todo domingo me perguntarem em qual igreja eu fui. Se acredito em Jesus Cristo, nosso salvador. O que acho dos professores rezarem antes da aula (ainda bem que os meus não fazem isso). De ter que ouvir que Deus criou a estatística.

Antes de chegar aqui achei que talvez eu fosse encontrar um caminho, que uma luz ia surgir na minha frente e que tudo o que acredito fosse cair por terra. Mas não. Todo dia acontece algo que me faz pensar que quem vive na sombra não sou eu. Sorry.

Mas eu respeito e tento participar. E acho lindo, de verdade. Acho legal as pessoas se apagarem a algo que acreditam e que isso realmente as transforme como pessoas. Ainda não vi aqui coleguinha julgando coleguinha, sendo egoísta, etc. As pessoas realmente seguem o que pregam. Além disso, os "cultos" são legais e várias vezes me peguei chorando. Eles não falam sobre a bíblia e coisas que você não entende, mas sim sobre situações que todos enfrentamos todos os dias.

Não tá fácil. Estou com saudades de casa, mas esse não é um fator. Não estou feliz aqui. Já engordei 4 kg e isso tá me fazendo muito mal também, porque além da comida já ser muito calórica, não consigo parar de comer quando tô ansiosa. Fico imaginando quando tudo isso se encher de neve, a sensação de vazio só vai piorar.

Pensei muito essa semana sobre pedir pra mudar de Uni, mas peguei uma matéria que é como se fosse um estágio em análise de dados e está sendo a melhor coisa aqui. Não sei até que ponto isso é uma oportunidade que eu devo agarrar ou se eu deveria tentar uma universidade melhor, com mais matérias de estatística, projetos de pesquisa sólidos e uma vida pra viver etc. Estou com medo dessa sensação piorar e eu entrar numa bad. Só que também não quero sentir que vou fazer isso por fraqueza.

Enfim, tá foda.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

sobre novas etapas [15.08]

Não, ainda não caiu a ficha de que daqui a 3 dias estou partindo para a realização de um dos meus sonhos. É incrível pensar que há pouco mais de 2 anos saí totalmente da minha zona de conforto, me lancei no desconhecido e fui atrás do que eu pensava ser o certo pra mim, mesmo que muitos achassem que eu fosse louca por sair de humanas para exatas. No primeiro dia de aula eu tive a certeza de ter acertado na escolha e a ENCE se tornou minha segunda casa. Lá aprendi a enfrentar meus medos, a não me abalar por pouco. Passei por péssimos momentos e vi como as pessoas podem ser falsas por tão pouco, mas isso me fez ver como tantas outras me queriam bem de verdade. Fiz amigos pra rir, chorar, estudar, dividir as angústias e, claro, rir de novo. Agora, vejo claramente como tudo na vida se encaixa.

Há 2 anos atrás não teria essa coragem, não teria a certeza de que não vai ser fácil,  mas que vale a pena tentar. Assim como tudo que passei ao entrar pra ENCE. Hoje pude ter a dimensão do que apenas um passo me proporcionou. Agradeço por tudo que passei aqui desde então, os bons e maus momentos. Fico imaginando o que esse novo passo vai me proporcionar. Escrevendo assim parece até que vou embora pra sempre. Mas quando a gente alcança algo que queria muito fica meio besta. Só queria dizer obrigada a todos que fazem parte da minha vida, mesmo aqueles que não merecem fazer parte dela, mas principalmente aos que me fizeram uma pessoa melhor e que me impulsionaram de algum modo.